quarta-feira, 20 de setembro de 2017



20 DE SETEMBRO DE 2017
ENTREVISTA

"Faço obras para gerar um transe coletivo"

ANDREA AROBBA

Diretora de "Big Bang"

Big Bang é definido como um "concerto de dança", e a trilha sonora é executada ao vivo no palco. De que forma a música foi incorporada à dança e como essas duas áreas ajudam a contar a história?

Em geral, todos os meus espetáculos vêm precedidos de um grande processo de investigação que, neste caso, envolveu a parte musical desde o início. Eu havia me proposto o desafio de conceber o movimento e a música como um todo. Um dos componentes centrais era formar um elenco que não tivesse performers de um lado e músicos de outro. 

Nessa obra, a música é feita em cena, e participam dessa trama sonora absolutamente todos os integrantes da companhia. A ideia de um "concerto de dança contemporânea" eu tentava conceber quase como um gênero de espetáculo em si mesmo. Queria que a sensação de ver a obra incluísse uma vivência similar à de um concerto, em que uma banda muito energética toca.

Fale um pouco sobre os recursos tecnológicos desenvolvidos especialmente para o espetáculo. O que o público verá em cena?

A tecnologia não é um dos temas centrais da obra e, por essa razão, queremos que não tenha protagonismo. Há uma pequena intervenção de robótica em uma das roupas que foi concebida especialmente para a obra, mas desenhada de tal forma que não se pense em termos tecnológicos, mas sim expressivos.

O espetáculo procura fazer uma reflexão sobre qual é o nosso verdadeiro lugar no mundo. Você acredita que a arte possa ser uma ferramenta útil que nos ajude a encarar essa jornada?

Claro que sim. O que pretendo é que o espectador viva uma experiência e formule essa pergunta a partir de uma perspectiva empática, que se sinta pertencente a algo maior do que si mesmo, unido ao que percebe. Faço minhas obras para gerar uma espécie de transe coletivo, de modo que será mais fácil que cada um se pergunte quem é, o que quer e o que poderia fazer de sua vida.

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